O único jeito de atravessar aquele rio que separa duas cidadezinhas do interior de Minas
é usar um barquinho bem precário, todo cheio de remendos.
Quem conduz o barco é um velhinho meio cego e trêmulo,
que deixava qualquer um morrendo de medo.
Um dia em que o Clodomiro tem que resolver um negócio do outro lado do rio, pega o tal barco.
No meio do rio, balançando de um lado pro outro,
a água repingando na roupa, Clodomiro pergunta pro barqueiro:
- Escuta... O senhor nunca perdeu um passageiro afogado por aqui?
E o velhinho responde:
- Inté agora não, seu moço...
Sempre eu acabo achando os corpos enroscado lá em baixo,
bem onde o rio faz a curva!